
Marcavam naquele momento, exactamente 3h da manhã, e a vontade que o meu corpo tinha de saír da cama, era enorme. Parecia que me estava a chamar para algo, algo que nunca tinha presenciado. E a minha mente co-operava com o meu corpo, fazendo-me despertar dum sono tão profundo. O que a minha alma sentia, era fome de inspiração clássica. Saí da cama, vesti um vestido branco, calcei as minhas sabrinas e fui para uma das muitas salas que o palácio onde vivia tinha. Era uma sala de estilo minimal. Paredes brancas, completamente nuas. O chão, era vermelho, já que a sala era e aparentava ser tão fria, ao menos tinha o vermelho, uma cor quente, que alegrava essa mesma sala. Abri as portas. Senti um calafrio a percorrer-me a espinha. Mal entrei, o som clássico e victoriano por quem sempre me liguei e apaixonei, começara a dar. E o meu corpo, esse, em cumplicidade com a música, começou a mover-se, de uma forma tão suave e subtil, que parecia que não era eu a comandar o meu corpo, mas sim as ondas sonoras que os meus ouvidos presenciavam. Parecia tudo tão automático, e surreal, que a minha mente se deixou levar pelo momento. Engraçado, naquele momento senti-me tão completa, mesmo que só tendo o som de umas quantas músicas, um vestido, umas sabrinas e uma sala completamente vazia. Só esses 4 elementos preenchiam a minha alma naquele momento. Tanto dancei, que as paredes, num branco, completamente cru, se alegraram e encheram de calor, podendo-se nelas observar, pequenas gotículas de suor. O chão, num tom vermelho vivo, alimentava-me a vontade de dançar cada vez mais. Tanto dancei, que cheguei a um ponto, que o meu corpo já suplicava para parar. Contudo, a minha mente, queria mais. O corpo queria menos. Fiz uma pausa. Segurei-me num canto, para recuperar energias e inspiração. Abençoado seja o momento em que o meu corpo, em cumplicidade com a minha mente, me quiseram acordar, para tal momento inspiracional.









