sábado, 7 de agosto de 2010

Listen... Amo-te

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“Listen
To the song here in my heart,
A melody I start but can’t complete…”

Era assim que me sentia. Cada vez que nos papéis tentava descrever tudo aquilo que me compõe. És demasiado abstracto. Não importava o quanto escrevesse, não conseguia completar aquela composição dedicada a ti. Até se podia estar a transformar numa epopeia colossal, não conseguia finalizá-la. Sussurras-me que és meu e o teu timbre rouco afasta-se da minha mente.
És minha.
Sou teu.

Por entre o meu quarto, pintado em tons de branco e beje, senti por momentos o cheiro a incenso misturado com a fragrância abafada do ópio que tomavas antes de me rasgares a pele, em momentos de êxtase carnal. Continuei a escrever, com uma vontade esquizofrenica, mesmo que sem sucesso. Estarias mesmo a chegar? Estarias mesmo a regressar, pronto para me possuires e tomares por tua posse? Era tudo tão surreal, que não quis acreditar.
Tomo-te.
Tomas-me.
Não digas nada.
Oiço subitamente uma porta a rangir. Eras tu quem tinha chegado. Eras mesmo tu, em carne e osso. A minha mente não conseguia acreditar, mas os meus olhos, afirmavam a tua chegada. O teu regresso. Aproximas-te de mim, dás-me um beijo arrepiante no pescoço, e envolves os teus braços, nos meus.
Cheguei.
Bem-vindo a casa, fofinho.
Sentas-te ao meu lado, acendes um cigarro, dás um gole no copo de sangria que estava a beber. E olhas-me com malicia. Olhas-me intensamente. Pegas em mim, pões-me na cama. Começas a despir a minha intimidade, deixando-me nua. Indefesa, como se fosse alguma propriedade tua. Apagas o cigarro, e vens para cima de mim, cobiçar-me e rogar-me pecados mortais. Começas-me a foder, com aquela vontade ofegante, de me possuir logo alí..
Soltamos um grito orgásmico, tão intenso. Como se fosse um berro gárgulo.
Acho que nunca tive tanto prazer como tive esta tarde.

Dás-me um beijo, e ficas ali, comigo, como se me quisesses proteger de alguma coisa. E adormecemos os dois. Acordo já são 9h da noite, e a tua presença já não está comigo. Deixas-me um bilhete na mesinha de cabeceira.
“Nunca me deixes, minha.”

Nunca te irei deixar, meu.
Vou tomar um banho, e esperar pelo amanhã.
Amo-te.

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