sábado, 7 de agosto de 2010

Quadro Naturalista Falhado

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Abro a janela, sinto o frio a rasgar-me a pele de tão árido. Dessa paisagem minimamente florestal noto um raiar minúsculo, ainda meio tímido, pintado em tons laranja arroxeado. Vejo esse tímido raiar escondido pelas nuvens neutramente melancólicas, pintadas em tons cinza escuros. Ponho a mão fora da janela, toda embaciada pelo frio. Sinto chuva a caír-me na mão. Não acredito, finalmente! A tão desejada chuva apareceu, e lá fui eu, para o pátio, dançar com a chuva. Juntas dançámos tanto que acabei por cansá-la. Tanto que se foi embora, para terras longínquas. Sentimento mutuamente minimal. Serviu para trocarmos toques inocentes. Lá vai ela.. Feliz da vida. Tão mais feliz, que me deixou, nesses escassos momentos, o mais bonito cenário, tão colorido, que nem eu própria sei a quantidade de cores e tonalidades desses traços tão minimamente místeriosos. Quem me dera que tudo fosse como esse desenho. Com amarelos electrizantes. Azuis tão pálidos. Vermelhos tão inatíngiveis. Verdes tão berrantes, que nem numa vida os conseguia obter nas telas que tanto pinto e repinto. Lá estão os traços, escondendo entre eles umas tonalidades mais neutras. É como se tivesse o poder dessas cores todas, na minha mão, e dessas cores todas, fazer o que eu quiser. É como se, por acidente, pela minha imaginação tão alucinogénica, tivesse o próprio Arco-Íris na minha mão, mesmo que num elemento completamente disforme àquele que o Arco-Íris é composto. É engraçado, neste momento, parece que, na minha visão, todos os elementos não tivessem cor, sendo assim compostos por tons neutros, cinzentos, enquanto são preenchidos pela tonalidade completamente colorida daquele Arco-Íris disforme. E ponho-me a contemplá-lo. Ponho-me a contemplar o Arco-Íris na sua forma mais complexamente imperfeita. Reparo nesses campos desconhecidos que nunca tive curiosidade em pisar, e ponho-me a observá-los tão atentamente. Sou tão adepta da Natureza que adoro contemplar os mais simples elementos naturais. Tento imaginar tudo isto. Todo o Paraíso do Éden com que me deparo no meu pensamento, e reflicto-o nas telas. Sem sucesso, mas tento. Um trabalho mínimamente falhado. A Natureza é tão complexa, Sim. Mas eu gosto dela assim. Misteriosa.



1 comentário:

  1. Para variar, mas só mesmo para variar...
    Digo para mim 'dass!! Mais uma vez surpreendido...'
    Bem só posso dizer, simplesmente gostei, escreves bem :)

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